A tendinopatia patelar é uma condição caracterizada por dor no tendão localizado abaixo da patela. Ela é frequentemente observada em praticantes de esportes que envolvem saltos, corridas e mudanças rápidas de direção, como futebol, vôlei, basquete entre outros. Também pode surgir em pessoas que aumentam rapidamente o volume ou a intensidade dos exercícios físicos.
O tendão patelar transmite a força produzida pelos músculos da coxa para a perna, permitindo movimentos essenciais como caminhar, subir escadas, correr, agachar e saltar. Quando a carga aplicada ao tendão supera sua capacidade de adaptação por um período prolongado, podem ocorrer alterações em sua estrutura e capacidade funcional, levando ao aparecimento da dor e à redução do desempenho físico.
Quais são os principais sintomas?
Os sintomas podem surgir de forma gradual e variar conforme a evolução da condição. Os mais comuns são:
- Dor localizada logo abaixo da patela;
- Dor durante ou após atividades físicas;
- Desconforto ao correr, saltar, agachar ou subir escadas;
- Redução do desempenho esportivo;
- Persistência da dor mesmo após períodos de descanso, nos casos mais avançados.
Embora a dor seja o principal sintoma, ela nem sempre reflete a gravidade das alterações do tendão. Por isso, uma avaliação individualizada é fundamental para definir o tratamento mais adequado.
O repouso é suficiente?
Atualmente, as evidências científicas mostram que o repouso absoluto não é considerado o tratamento mais eficaz para a tendinopatia patelar. Embora possa proporcionar alívio temporário da dor, interromper completamente as atividades não melhora a capacidade do tendão de suportar carga e pode favorecer o retorno dos sintomas quando a prática esportiva é retomada.
O tratamento mais recomendado consiste em ajustar temporariamente as atividades que provocam dor, mantendo o tendão ativo por meio de um programa de exercícios planejado. Esse processo é conhecido como controle da carga, um dos pilares da reabilitação.
Como a fisioterapia atua?
A fisioterapia busca restaurar a capacidade do tendão de tolerar cargas progressivamente maiores, respeitando a resposta individual de cada paciente.
Fase 1 – Controle dos sintomas
Na fase inicial, o objetivo é reduzir a dor sem interromper completamente o movimento. Dependendo da avaliação clínica, podem ser utilizados exercícios isométricos, que apresentam potencial para aliviar a dor em parte dos pacientes e facilitar o início da reabilitação.
Fase 2 – Fortalecimento progressivo
Após o controle inicial dos sintomas, inicia-se um programa de fortalecimento com aumento gradual da carga aplicada ao tendão.
As melhores evidências demonstram que exercícios resistidos progressivos são fundamentais para melhorar a dor e a função. Atualmente, não existe evidência consistente de que um único tipo de exercício seja superior a todos os outros. Exercícios excêntricos, exercícios com resistência lenta e pesada (heavy slow resistance) e outros programas de fortalecimento progressivo podem produzir resultados semelhantes quando prescritos e progressivamente ajustados às necessidades do paciente.
Além do quadríceps, o fortalecimento dos músculos do quadril, glúteos e panturrilhas pode fazer parte do programa de reabilitação, de acordo com as limitações identificadas durante a avaliação fisioterapêutica.
Fase 3 – Retorno às atividades
À medida que o tendão recupera sua capacidade de suportar carga, são introduzidos exercícios mais específicos para as atividades do paciente.
Para atletas, isso pode incluir saltos, desacelerações, mudanças de direção e gestos esportivos. Para pessoas fisicamente ativas, o foco é recuperar a capacidade de realizar as atividades do dia a dia e retornar ao exercício físico com segurança.
A progressão ocorre de forma gradual, monitorando a resposta do tendão e ajustando o volume e a intensidade dos exercícios sempre que necessário.
Exercício é o tratamento de primeira escolha
As revisões sistemáticas mais recentes indicam que o exercício terapêutico associado ao controle adequado da carga representa o tratamento conservador com maior respaldo científico para a tendinopatia patelar. O objetivo não é apenas reduzir a dor, mas restaurar a capacidade do tendão de suportar as demandas da vida diária e do esporte, diminuindo o risco de recorrência.
Por isso, um programa individualizado, elaborado por um fisioterapeuta e ajustado conforme a evolução clínica, é considerado a estratégia mais segura e eficaz para a recuperação.
Referências:
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